E o que agora vejo

Não há nada como poder se autoavaliar em um ambiente diferente do costumeiro. Olhos habituados não enxergam mais do que o necessário para sobrevivência, e eu digo isso com a convicção de quem se viu, mas não se enxergou por muito tempo.
Hoje, felizmente, sou toda feita de olhos ávidos por diárias autodescobertas. Melhora fruto da grande mudança de vida a qual me submeti por opção (e necessidade).
Antes era assim: toda vez que eu me encarava no espelho eu não me entendia, não me difundia entre carne e âmago, entre confusões e patetices. Agora o que ocorre é exatamente o oposto: aprendi a reparar naquilo e daquilo que sou feita, a simpatizar até com meus defeitos (não de todos, é claro); sei me discernir, me compreender e disso, automaticamente, nasceu a vontade de compartilhar, de botar pra fora tudo aquilo que gosto, tudo aquilo que constato. Em mim e nos outros.
E do que eu gosto?
Ahh... Eu gosto do não-concreto, do não-sabido, do ponto de interrogação. Daquilo que oferece desafio, cumplicidade e suspiros.
De pessoas intrigantes, com histórias interessantes; do não-denominado, do não-estabelecido, do desacertado.
Me agrada também o que é repleto de sentido, de entranhas. De intensidade. Sim, gosto de olhos bem maquiados e boca sem batom algum. Do beijo teu no beijo meu.
Mais que isso: de ser brasileira, de ser mulher, de ser quem hoje eu sou.
E o que eu constato?
Ahh.. Constato que sou madrugada, rock alternativo e chocolate. Que vejo e escuto arte, sinto e respiro vida.
Que preciso de frio na barriga, de arrepios na nuca, de tormenta em minha alma. Que busco por respostas vagas e novas perguntas fervilhando em minha mente.
Mais que isso: que sou o reflexo de minha mãe; repito suas falas, manias e ensinamentos. E, ao mesmo tempo, sou feita da mesma farinha que meu pai; a do tipo que fermenta porque quer. Porque gosta.



14:57 |




Primeiras faíscas (atrasadas)

Demorar tanto para postar algo logo no início do ano me fez perceber (e admitir) que eu sou um mero fogo de palha. Sim. Sou toda (às vezes rala) combustão.
Não. Sou, melhor dizendo, poeta em cinzas, esperando apenas nova faísca para começar outra transformação.
O porém, lógico, é que meus ciclos são de fogo intenso. Queimo rápido e apago logo, sobrando apenas o que vocês observam aqui na maior parte do tempo: o nada.
Nada esse que pode durar alguns dias ou alguns meses, dependendo do momento, da preguiça ou do hiato que vivo. É, sou assim mesmo e faz parte de mim ter lapsos de calor e pó.
Tal constatação também me faz entender que não devo mais me culpar, pedir desculpas ou prometer o que não será cumprido. Não sei ser constante e terei de conviver com isso.
Convivência pacífica, é claro. Já que enquanto o nada do cinza se instala aqui vez ou outra, lá fora, na vida real, o tudo incendeia em plenitude.
Seja bem-vindo 2011! Que tu sejas intenso como fogo, assim como 2010 foi.



15:54 |




Novos clichês e antíteses (de aniversário, de vida, e de morte)

A cena se repete. Mais uma vez, após um novo tempo de cegueira e mudez, eu volto a ver detalhes, e volto a ter o que contar sobre eles. O motivo da vez é óbvio. Tanta novidade e mudança ofuscou minha visão. Tanta luz me impediu de enxergar as pequenas coisas, que são a essência desse espaço virtual.
Em outras (simples) palavras, deixei de postar "regularmente" porque estava tomada pelo encantamento de viver meu sonho. Na verdade, até tentei, mas não consegui. E, quando, enfim, estava quase lá, algo mudou e tudo daquele sentido se perdeu.
Vou explicar:
Eu havia feito um outro texto para o blog há uma semana, data exata em que completei dois meses em terras estrangeiras. Mas, por ironia do destino, ele não ficou pronto a tempo. Alguns fatos, como a morte de uma pessoa muito próxima, cortou o meu clima de euforia e todo o sentido do que eu tinha escrito mudou. Então, por bem, decidi deletá-lo.
Tudo bem. Hoje, depois que chorei tudo que tinha pra chorar e que desabafei tudo que tinha pra desabafar, estou melhor. E agora é hora de recomeçar.
E recomeço justamente no dia do meu aniversário. Clichê, não? Sim, eu sei, eu sou clichê mesmo.
Sou tão chichê que ao invés de dizer minha idade prefiro dizer que agora faltam somente quatro anos para eu chegar aos 30. Normal em se tratando de Lidiane.
Não me importo em ser assim. Como também já não me importo em ficar mais velha.
Pelo menos agora estou vivendo. Pelo menos agora estou fora do casulo, voando pelo o que o mundo tem de mais belo, assustador, emocionante e feio.
São essas antíteses, aliás, que me fazem apenas querer viver mais, não importando a idade que eu tiver. Contanto que eu esteja voando e seja plena de aprendizado todo o sacrifício valerá a pena.



11:31 |




Novos ares, finalmente!

Nossa, pensei que não daria tempo! Esse último mês foi tão doido, tão maravilhoso, tão surpreendente, tão "tão" que não consegui postar aqui antes, nem sequer para poder contar o fato mais esperado por mim nos últimos anos.
Pra quem não me conhece e, portanto, não sabe, eu planejo ser Au Pair nos Estados Unidos já há algum tempo. Tenho um sonho antigo de explorar o mundo, de sair da casca, de viver o inglês em algum país de língua nativa e aproveitar para crescer como pessoa e como profissional. Pois então, esse programa foi perfeito para a realização desse objetivo e para o meu bolso, meu judiado e miguado bolso.
Desde março, período em que fiquei disponível para famílias americanas entrarem em contato comigo, espero ansiosamente a chance de encontrar um bom lugar para ficar e pessoas bacanas para conviver. Demorou, mas valeu a pena. Fiz meu match no dia 27 de agosto com a melhor família que poderia ter encontrado. Sério.
A host mother é um amor de pessoa, super gentil e prestativa comigo. Ela me ajudou horrores,  e sempre acompanhou todo o processo de visto, viagens até SP, malas, etc. A girl é simplesmente uma fofa, linda demais, o tipo de criança faceira que eu amooo ficar por perto. Com o host father não tive tanto contato ainda, mas só pelas fotos dele que eu vi no Facebook deu para perceber, de longe, que ele é gente boa. Estou certa de que serei muito feliz convivendo com eles e aprendendo algo novo a cada dia.
Viverei numa pequena cidade pertinho da Philadelphia, na Pennsylvania. Essa região sempre me atraiu, estou no céu!
Bom, quero agradecer a todos que me ajudaram durante o processo. Nossa, se eu listasse um por um faltaria espaço aqui, mas pretendo fazer isso sim, no novo blog que criei só para registrar minhas aventuras nas terras americanas. O Lidi Au Pair (só clicar no link que ele abre em nova janela) será meu "diário de bordo", e, portanto, o primeiro post (programado) sairá exatamente no momento do meu embarque para NY, ou seja, às 8h35min de 27 de setembro de 2010.
Ah, antes de finalizar (tenho tanta coisa ainda pra organizar) quero apenas me desculpar por não ter respondido os últimos comments. Esse mês foi realmente uma loucura! Assim que eu me estabilizar eu coloco tudo em ordem. Prometo.
E sim, eu percebi. O último post em terras brasileiras está diferente do usual, mas não tinha como ser diferente. Eu precisava contar, eu precisava divulgar, eu precisava, de alguma forma, me despedir do meu quarto, escrevendo algo aqui enquanto nele estivesse, como sempre o fiz.
Os próximos 12 (ou 24, ainda não sei) meses serão diferentes de tudo o que já vivi. Não encontro palavras para traduzir o que sei que vou sentir. Não encontro, mas não preciso encontrar. Viver o que vou viver basta.



11:23 |




O que não cabe em mim


Há tempos decidi, ou compreendi, não sei ao certo, que minha própria companhia me bastava. Amigos e amores seriam sempre bem-vindos, mas, no quesito "companhia contínua" (aquela do famoso "forever and ever"), não havia candidato melhor para a vaga do que eu mesma.
Claro, posso mudar de opinião. Estou aberta para as mudanças quando estas fizerem sentido. Mas agora é assim que me vejo: só. Com amores internos, discretos, distantes, talvez platônicos, mas que preenchem muito bem o vazio de não amar pele-a-pele e me fazem imaginar que eu realmente posso alterar essa concepção.
Não. Não me sinto alguém solitário. Nem carente. Sinto-me avulsa. Simplesmente avulsa; alguém que na prática não se encaixa com ninguém, e que, na maioria das vezes, não é compreendida pelos que lhe rodeiam.
Então, tente entender: minha "avulsividade" nata não é algo ruim. Pelo contrário, é enriquecedora. Prefiro ser assim a ser comum, a ser medíocre, a ser pouca coisa.  Não me acostumo com a ideia de querer o básico da vida. De ter como meta, por exemplo, apenas casar, ter filhos, envelhecer, ter uma penca de netos, e morrer. Não. Quero mais que isso.
Ocupo meus espaços, e sou espaçosa. Sou feita de ideais e vontades. Tenho sede e fome do mundo. Envelhecer e morrer não são exatamente opções pra mim, mas o resto é. E como é.
Por isso mesmo eu quero. Quero, quero, e quero. O pouco definitivamente não cabe em mim.



23:28 |




Meu FAQ* interior (e pessoal)

Cadê o meu amor pelo o que é poético e repleto de sentido?
Para onde foi o meu jeito sonhador de encarar a vida?
O que aconteceu com o meu medo de ter filhos?
Qual a razão de eu ter me tornado tão cética?
Quando vou encontrar minha paz interior?
Por que meu otimismo me abandonou?

Não sei e, sinceramente, agora nem quero saber. Perguntar é sempre mais interessante.

 

* Pra quem não sabe, FAQ é a sigla inglesa para o termo Frequently Asked Questions, ou seja, perguntas mais frequentes.



21:40 |




O sonho que não deveria ter sido só sonho

Hoje, pela primeira vez em muito tempo, eu acordei com um sorriso no rosto. Sonhar com você me fez bem.
A vontade imediata que tive, assim que acordei, era a de que meu sonho não fosse só um sonho. Ou que ele não terminasse tão cedo. Tentei, então, continuar de onde parei, mas a sorte de ter você tinha acabado...
Mesmo assim deu tempo. Deu tempo de experimentar a felicidade que será estar ao seu lado. Deu pra sentir o perfume, o toque da mão, o gosto do beijo, o frio na barriga.
Deu tempo de ser completa. De ser companhia perfeita. De ser entregue com um simples passeio pelo seu belo território. Deu tempo de ser eu, de ser você. De sermos um só.
Hoje, pela primeira vez em muito tempo, eu acordei feliz.
Sonhar com você realmente me fez bem.



16:00 |




O amor que não calo mais

 

 

Cansei de ficar no vácuo, e de minhas palavras não fazerem sentido pra ninguém, nem pra mim. Descobri que sem uma paixão pulsando viva aqui dentro, até meus textos são vazios de sentidos.
Então, a partir de agora, eu me permito. Não calarei mais minhas vontades e meus segredos.
Sim, vou gritar o amor não real que vivo dentro de mim. Vou viver esse amor, imaginando o seu toque, o seu cheiro, o seu beijo.
Que venha a loucura e o perigo. Que venha a vida e a falta de respiração. Que venha o amor e que ele me traga você. Você.



23:09 |




O nada é tudo

 

 

Essa ausência de matéria que sinto em mim (a qual eu nem sei bem qual é) me confunde, me agita, me cala. Estou no vácuo. E eu odeio o vácuo.
Odeio porque esse nada não tem motivo para ser real. Vivo dias singulares, experimento o tempo todo diferentes maneiras de enxergar as pessoas que me rodeiam e os fatos que me acontecem.
Então, por quê? Por que, quando menos espero, sinto um vazio esmagador (se é que isso é possível) que aparece sem explicação e some mais estranhamente ainda? Por que emudeço se tenho tanta vida em meus olhos e tantas frases prontas em minha mente? Será alguma remanescência do mau período que vivi até não muito anos atrás? Só pode.
Sim, pensando bem é isso mesmo. Ainda tenho algumas pendências a resolver comigo mesma. E, enquanto eu não pagar a dívida que me "autofiz", isso vai continuar acontecendo, eventualmente.
Tudo bem, já vivi momentos bem mais desconcertantes e sobrevivi. Na verdade fiz mais que isso: evoluí.
O jeito, então, é aprender com esse fortuito espaço vago. Sinto que é ele que, de alguma forma, me traz novos olhares sobre velhos e guardados sentimentos e reacende medos esquecidos. E, assim, penso, duvido, teorizo, e crio o meu próprio combustível.
Para variar, o meu nada é tudo.



17:21 |




O pouco (muito) que me faz feliz

 

 

Não sei se alguém notou, mas eu tenho estado feliz nos últimos tempos. E isso, em se tratando de mim, é algo, no mínimo, curioso. Normalmente ou eu sou melancólica, ou estou preocupada, estressada, ou simplesmente vazia.
Sempre admiti ser complicada demais pra alguém que nasceu e sempre viveu numa cidade tão pequena quanto a cabeça da maioria de seus moradores. Não sinto vergonha por nao ser comum, sou estranha sim e até gosto disso.
Só que hoje minha felicidade é calma, lúcida e, ao mesmo tempo, pulsante. Pulso como ela, vivo como ela. E isso tem me feito tão bem.
É interessante descobrir que posso me sentir bem com pouco. Bastam-me família, amigos, arte, e conversas inteligentes. Basta-me saber que posso (e devo) ser feliz.



00:35 |




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