
Flutuo de tal modo que praticamente inexisto no instante em que estou em teus braços... É tão bom te abraçar, te beijar e te amar que busco o infinito de um longo suspiro quando me aproximo de ti.
O depois é que é sempre o problema. Sinto a despedida e a demora pelo reencontro. Sofro por minha companhia diária ser a rotina e a falta do teu corpo.
Por isso mesmo, como na fala de um filme que eu ainda não vi, traduzo esse sentimento como saudade intrínseca, saudade crônica, permanente e indecente:
‘Eu sentiria saudade de você, mesmo sem ter te conhecido’.

As coisas mudam. É a ordem do mundo. É a ordem da vida. É a minha ordem também.
Sim, sou um ser mutável e, como tal, aquilo que produzo também muda. É por isso que este blog trocou de cara e de nome. A partir de agora, o Mundo Crazy dá lugar ao Lidita • Detalhes do que ninguém mais vê. O motivo? O velho já não me servia mais.
Sinto cheiro de tinta fresca na minha vida. Aqui não poderia ser diferente. Trata-se dos novos conceitos e perspectivas de um novo tempo que começa agora.

Ela estava nervosa, mas penteou os cabelos com cuidado, colocou uma de suas melhores roupas e calçou seus sapatos preferidos. Perfumou-se e saiu. Quase não conseguia acreditar que enfim aconteceria o momento que por inúmeras vezes havia imaginado. Trancou a porta de casa sentindo o coração na boca, mas pisou firme na calçada que a levaria à rua onde foi tão feliz no passado.
As ruas desse lugar
Conhecem bem
As noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava
Os passos eram rápidos, mas ela se controlava para não parecer ansiosa demais, não queria estragar o que destino, ou quem sabe o acaso, lhe aprontara. Finalmente, após anos e anos de espera, a velha mulher iria ao encontro do seu antigo, e talvez único, amor. Tinham assuntos a acertar e ainda faltava-lhes a despedida, o último abraço nunca dado. Ironicamente, ou não, talvez tenha sido esse não-adeus que o manteve vivo nos olhos dela.
As casas desse lugar
Se lembrarão
Do nosso abraço, da sombra insólita
Espelho azul no chão
Inicialmente, o reencontro foi tímido e encabulado, algo comum aos amantes em dívida. A noite era morna. A rua, embora diferente, continha a mesma bela penumbra do tempo em que eles tanto e jovialmente se amaram. Pouco a pouco, os dois se redescobriram em um sentimento tão esquecido quanto indefinido, que fez com que as remotas contas fossem liquidadas, uma a uma, na medida em que ambos lembravam de como foram felizes juntos, das noites que ali diziam palavras de um futuro bom.
As ruas desse lugar
Agora eu sei
Sempre escutaram a nossa música
Quando eu te respirava
Depois de horas de conversas saudosas, por fim veio a despedida que ela tanto precisava para seguir em frente. No instante daquele forte e demorado abraço, ambos se desnudaram do tempo, das culpas, dos ressentimentos, das perguntas sem respostas. Eram novamente jovens por dentro e sentiram, num instante mágico, o mesmo bonito e intenso amor que uma vez os fez viver em plenitude.
As pedras municipais
Se impregnaram
Da dupla imagem, da dupla solidão
A sombra ali no chão
Despida de suas dúvidas mais profundas, modestas lágrimas foram inevitáveis. Foi assim que disseram o adeus necessário. Voltando para casa, agora mais calma e preenchida por respostas que nem ela mesmo saberia traduzir, a mulher percebeu que ter amado tanto alguém bastava. Aquelas noites não voltariam mais, somente as sombras ali ficaram. Assim foi, assim deve ser. Agora ela pode partir em paz.
...Triste mesmo.

Dessa vez a culpa não é minha. Não foi falta de inspiração, não se trata de tristeza, crise existencial ou coisa assim. É puramente uma questão de disponibilidade, ou melhor, da falta dela.
Estou literalmente off quando o assunto é a minha própria vida. Não sei mais o que é ter uma conversa casual e demorada com meus amigos, o que é namorar sem pressa ou medo de perder o ônibus, o que é acessar a internet procurando somente distração e divertimento, ou o que é não precisar fazer nada, simplesmente nada.
Não é a toa que sinto tanta falta de mim. Não consigo mais fazer o que sempre gostei: escrever aqui com tranquilidade e mais frequência, treinar meu inglês de forma despreocupada, ficar vagando em sites bacanas, ler os autores que me fascinam, dormir muito e na hora que bem entender, comentar nos blogs de meus amigos, aprender coisas novas no Photoshop, assistir filmes inteligentes, catar imagens no DeviantArt, ouvir música, amar a vida nos seus detalhes e tantas outras coisas que me fazem melhor.
Tá certo que meus dias ficaram mais corridos por uma opção que fiz, mas eu estava precisando dar uma turbinada no meu orçamento e viver uma experiência nova já dentro da área em que estou me graduando. Disso não me queixo, apesar do trabalho que dá. Reclamo apenas do excesso de responsabilidades que tenho.
Espero poder mudar essa situação, e logo. Preciso dormir mais, viver mais. Quero retomar meus sonhos e voltar a ser a Lidiane que sempre fui. Quero folga, descanso e paz. Voltar a escrever ou fazer qualquer coisa que seja, contanto que nada me espere depois.

Alguma coisa me dizia que dessa vez seria diferente.
Era tanta confusão de pensamentos aqui dentro de mim, era tanta mudança acontecendo de uma só vez.
Mesmo assim você chegou. Mesmo assim você ficou.
E o agora está bem melhor desde então.
Quando me fizeram esta pergunta pela primeira vez, numa época em que eu era apenas um projeto de gente, lembro bem qual foi minha resposta:
“Quero ser professora!”.
Claro que na época era comum todas as meninas dizerem isso. A razão é óbvia: a modelo ideal de mulher profissional que se tinha até então era a da querida e amada professora do primário.
Só que o tempo passou, e minhas predileções mudaram totalmente de campo. A título de ilustração, já que quis ser tanta coisa nessa vida, merecem destaque as minhas febres por Publicidade e Propaganda, Design e Psicologia.
Acabei optando por Letras na hora de fazer o vestibular. O engraçado é que nunca tinha passado pela minha cabeça fazer esta faculdade até o meu professor de Física (sim, de Física) do 3º ano do Ensino Médio me indicar esse curso pelas suas vantagens.
Como eu sempre gostei de ler e escrever e, desde os 14 anos, aprendia inglês por conta própria, decidi que essa era a melhor opção, a mais “barata” e viável naquela época pelo menos. Iniciei a faculdade em 2003, então com 18 anos.
No início não estava bem convicta se havia feito ou não a melhor escolha. A princípio eu desejava ser psicóloga, mas minha mãe não concordava. Pensava então comigo que assim que terminasse Letras iniciaria Psicologia, porque, por estar formada, teria melhores condições para custear os estudos, já que sou o tipo de pessoa orgulhosa o suficiente para querer sempre me bancar em tudo.
Bom, continuando...
Entre 2003 e 2007 muita coisa aconteceu. No segundo semestre de 2004 tranquei a faculdade, por questões meramente financeiras. Voltei a estudar na metade de 2005, exatamente um ano após, e, em 2006, fui contemplada com uma bolsa integral pelo Prouni. Terminei Português/Literatura Brasileira em 2007, mas ainda assim não me via como professora de fato, mesmo tendo realizado meu estágio em uma turma excelente.
Como o currículo de Letras na UPF (Universidade de Passo Fundo) mudou quando eu já estava com mais da metade da faculdade em andamento, decidi que seria melhor continuar do jeito que estava: terminaria o Português pela grade curricular velha e, em 2008, ingressaria novamente no curso, dessa vez para fazer a antiga Plena de Inglês (as graduações em Português e Inglês eram separadas na UPF, então eu teria mais um ano e meio só de disciplinas ligadas ao ensino de Língua Inglesa), mas como isso não existe mais, aí sim eu estaria no novo currículo. Complicado, não?
Confusões pra entender todo esse processo e muito estresse a parte, finalmente estou terminando meus estudos e deixando de ser universitária. A diferença é que agora sou professora, de verdade.
Do nada, me surgiu esta oportunidade: dar aula de inglês para o Ensino Médio de uma das melhores escolas da minha cidade. Uma chance e tanto, alguns dizem. Eu prefiro chamar de desafio.
Minha rotina mudou, meu tempo ficou ainda mais curto – se é que isso é possível – e pela primeira vez em muito tempo me senti viva. Plena e realizada naquilo que faço.
Claro que tenho muito a melhorar, a crescer. Contudo, isso somente o tempo e as experiências oriundas dele é que me ensinarão a melhor forma de proceder em certas ocasiões. O fato é que hoje, aos 24 anos, me considero crescida. Adulta.
E o que eu quero ser agora que cresci?
Quero ser professora!
Mudei de ideia. Não quero mais o que disse antes... agora quero ficar. Sim, quero porque quero. E quero mesmo.
Por quê? Porque precisam de mim aqui, porque ainda vejo vantagens na minha permanência e porque é necessário amadurecer muitos planos antes de bater minhas asas e então voar.
Mesmo assim, ainda que entorpecida por essa decisão, continuo olhando pra fora da minha janela e me imaginando longe daqui.
No final das contas, mudei tanto quanto a palavra ideia – agora sem acento devido à reforma ortográfica – mudou. Resumindo em miúdos: mudei, mas não muito. O som ainda é o mesmo, a ideia de ideia também.

Pensei que minha ingenuidade tinha ido embora quando me tornei adulta, mas me enganei. Completamente errada, como de costume na minha adolescência, demorei muito pra perceber o óbvio.
Por isso passei tanto tempo triste, sem compreender o que se passava comigo. Mas, felizmente, nos últimos dias a minha tristeza ganhou um sentido inesperado até para mim e, de repente, tudo ficou tão claro na minha cabeça...
Agora eu entendo: meu mal tem nome oficial, nome fantasia, CNPJ, e-mail, telefone e um (bem localizado) endereço fixo.
É, tudo ficou realmente muito claro... e não dá mais pra ser como era. Valho mais que isso. Sei que sim.
E então, o que fazer?
Sair. Ir à diante. Evoluir.
Vai doer, mas é isso mesmo o que devo e pretendo fazer.

Sou grande, mas sou pequena. Sou minúscula, ínfima como um grão de arroz, e o tamanho do meu eu só não é menor porque já não sou pura e isso pesa.
Quem me tocou naquela noite foi o amor, que fez mais que isso, me devassou. Mexeu com meus sentimentos como bem quis para depois ir embora sem despedidas. Não disse se voltava, não explicou porquês. Seco, como estas palavras, só apontou para o espelho que a partir de então passaria a me refletir usada... impura... cada vez maior, cada vez menor.
Às vezes ele (o malvado amor) envia alguns recados ou manda parentes próximos fazerem breves visitas ao meu coração. Quer que eu o sinta novamente próximo, para logo sumir como pó. Sem rastros, outra vez.
Mas o amor não contava com a indiscutível força de seu maior rival, o tempo, que, como de praxe, fez sua parte: passou.
Foi assim que dois anos de silêncio se foram...
Dois anos sem amor, só espelhos.
Um período curto ou longo demais, dependendo do ponto de vista, mas suficiente para eu entender, tomar coragem e enfim dizer que de ti me livrei, amor que não foi. Que não te quero mais, se é que algum dia eu o quis de volta...
Quem eu quero agora tem outro nome e sobrenome. Se bem que nem tenho tanta pressa assim de encontrá-lo, pois, enquanto isso, vou tratando de novamente me diminuir por fora, me aumentar por dentro e amar quem nunca deveria ter deixado de amar: eu mesma.

Novo ano, nova vida. O título e a primeira frase não são muito originais, mas essa é a minha proposta para o tempo que começa agora.
Chega de me lamentar... Se 2008 ficou com o papel de vilão, 2009 ficará com o de guerreiro. E se há um guerreiro, é porque a minha guerra é interna.
Serão batalhas diárias contra a imagem que vejo refletida no espelho. Serão lutas incansáveis para dar fim aos meus receios, amarguras e vícios, os mesmos que me tornaram uma sombra no ano passado, que só não foi pior que 2007. Se bem que talvez aí exista um empate técnico.
Mas tudo bem. Este é o ano da inovação. Quero tudo diferente, começando por este blog mesmo. É por isso que, ao invés de escrever no ultimo dia de 2008, preferi escrever no primeiro de 2009. Por esse mesmo motivo resolvi mudar o layout, acrescentar cores, mostrar a minha essência do meu jeito, por partes. Simples assim.
A minha meta para 2009? Voar. E pra bem longe.
Mais um ciclo que se fecha nessa minha pacata vidinha. Mais um aniversário que chega e passa sem grandes mudanças. Apenas mais um número na soma da minha existência. Agora são 24.
24 anos completados num dia em que meu time ficou mais Internacional que nunca e em que precisei trabalhar como se fosse três ao mesmo tempo, tamanha a quantidade de tarefas que me couberam nessa semana. Um dia bom, um dia cansativo. Dia diferente, dia normal.
O 'problema' é justamente esse. Quando eu era criança a data de 4 de dezembro era totalmente ímpar: fazer aniversário era o evento do ano, algo totalmente especial, era o meu dia. Hoje, tirando a alegria do título colorado, não senti nada. Nada.
Claro que é sempre bom receber carinho da família, dos amigos e ser lembrada pelas pessoas que inclusive já nem mais fazem parte da minha vida.
Mesmo assim, algo está diferente aqui dentro. Só ainda não descobri o quê.
Nothing unusual, nothing's changed
Just a little older that's all
You know when you've found it,
There's something I've learned
'Cause you feel it when they take it away
Something unusual, something strange
Comes from nothing at all
But I'm not a miracle
And you're not a saint
Just another soldier
On the road to nowhere
Eu sou o que ninguém vê,
O que ningué toca,
O que ninguém ama.
Meu eu é invisível a olho nu.

Again - Lenny Kravitz
Someday We'll Know - New Radicals
Fix You - Coldplay
Palavras de um Futuro Bom - Jota Quest
No One - Alicia Keys
É... os amores vão,
mas as músicas ficam.
Fingir que está tudo bem quando, na verdade, você só queria sumir.
Fingir que se é auto-suficiente quando, na real, todo esse isolamento lhe corrói a alma.
Fingir que o céu é cor de rosa, que você gosta da cidade onde mora e da sempre bela e fácil vida que leva.
Fingir é uma arte que já não pertence a mim. Não mais.
Perdi o jeito. Não consigo.
É que falta muita coisa e o vazio em excesso também consumiu minhas máscaras.
Faltam amigos, afetos, companhia...
Faltam alegrias, motivações, abraços...
Não tá tudo bem não. E faz tempo.
Ainda assim tento colocar um sorriso mascarado na cara e continuar... mas não dá.
Então que me chamem mesmo de chata, de contraditória, de instável, de reclamona, do que bem quiserem.
Da mesma forma não vou poupar meus protestos.

Já não mais me surpreende a completa falta de consideração desse povo. É realmente uma pena que só poucos (e bons) valorizem quem tentou, quem lutou, quem conseguiu.
Pelo jeito somente aparências e conveniências importam nesta cidade que, aos meus olhos, conseguiu ficar ainda mais pequena. Parece que, para a maioria, só cerveja, churrasco e dinheiro interessam...
Na verdade, aqui, sem dinheiro, nem Dalai Lama se elegeria vereador.
E eu sinto imensa vergonha por viver num lugar assim.
- 44 horas de trabalho por semana
- Faculdade à noite
- Monografia (trabalho de conclusão de curso)
- Apresentação (defesa) da monografia
- Estágio I: Workshop para turmas do Jornalismo
- Observação de aulas de inglês em escola pública
- Preparar um roteiro e entrevistar a professora sobre as aulas observadas
- Relatório sobre o estágio de observação
- Atividades no Moodle também referentes à observação
- Participar das outras atividades propostas no Moodle.
- Análise de livro didático
- Seminários de apresentação oral
- Leituras de artigos para Lingüística Aplicada ao Ensino de Língua Inglesa I e II
(matérias que começam a partir de outubro)
- Palestras de Livro do Mês
- Seminários
- Oficinas
- Análises
- Provas...
E eu só queria ter tempo de voltar a ter tempo.
Estou inquieta. Não sei nem como começar esse post devido às tantas idéias que perpassam minha mente nesse exato momento. Não sei também se isso acontece com todo mundo, mas eu, pelo menos, sempre fui assim: um turbilhão de pensamentos e filosofias. Um twister de idéias misturadas, muitas vezes sem nexo algum.
É, mas não faz muito que me dei conta da incrível ligação que há em tudo que me rodeia, inclusive nos meus bagunçados raciocínios. O que penso, meus gostos, manias e defeitos; tudo, até minhas escolhas, estão de alguma forma ou outra conectadas entre si. Sou, portanto, redonda. Sem começo nem fim. Sou continuação.
Percebi que minha vida se move em torno de três elos distintos, três paixões que me impulsionam a sempre querer matar a sede que sinto pelo conhecimento a eles relacionado. O primeiro elo é a arte (e tudo que ela implica). O segundo é a informática. O terceiro é a língua inglesa.
Amo arte. Respiro arte. É ela que move meus sentimentos e que me faz mais humana. Através da escrita, da música e da fotografia (e da junção de todas) me sinto melhor, mais completa. São tantos livros, crônicas e poesias. São tantos filmes, tantas músicas, tantas imagens... Parece que uma vida não é suficiente para apreciar tudo. E não é mesmo.
Prova disso foi eu ter chorado tanto enquanto assistia O Pássaro Azul (The Blue Bird, 1976) no domingo passado (assunto para próximos posts). O detalhe é que eu raramente derramo uma ínfima lágrima em filmes e, esse em questão, ser destinado a crianças e não conter cenas pesadas ou tristes. Chorei de emoção. Não sei se consigo explicar em palavras o que senti ao ver aquele inocente filme antigo. Foi, simplesmente, a coisa mais linda que já vi.
Sinto apenas por não criar arte quanto gostaria. Sou uma mera aprendiz, amadora em tudo que faço, mas pelo menos tento; escrevo aqui e num diário que possuo num arquivo do Word devidamente criptografado e camuflado. Possuo ainda uma modesta galeria de imagens no Deviantart. Talvez este seja o meu começo...
Já a minha ligação com a informática vem de longa data, para ser mais exata desde meus sete anos de idade. Não consigo traduzir como essa máquina que está agora na minha frente e me é tão familiar pôde exercer tamanha atração na menina que não se agüentava de felicidade ao pela primeira vez digitar seu nome utilizando o teclado. O simples som daquelas teclas sendo apertadas soava como música pra minha alma ainda tão pura. Tive sorte de estudar na 8 de Maio, uma escola pioneira na relação dos alunos com a informática, isso é verdade, mas tive mais sorte ainda de não parar por aí.
O terceiro e nem por isso menos importante elo é minha paixão pelo inglês, outro hobby que não sei definir como se solidificou tanto em mim. Surgiu do meu interesse pelas letras das músicas que mais gostava e hoje se encaminha como minha futura profissão. É inclusive através dessa vontade de compreender outra língua que, se tudo der certo, um grande sonho será possível a partir do próximo ano.
Tá, tudo bem até aqui... Mas você que bravamente resistiu e leu toda essa história deve estar se perguntando: qual é mesmo a interligação desses elementos tão (aparentemente) diferentes?
Resposta 1: O que sei deles, aprendi praticamente sozinha. Claro, não posso ser hipócrita e dizer que nunca tive ajuda de ninguém. Claro que tive, ajudonas aliás, e sou grata a todas.
Resposta 2: Não dá pra perceber a presença desses meios na própria explicação que acabei de fazer? Leia de novo. A informática e a arte exigem um certo conhecimento em língua estrangeira para se fazerem mais completas em sentido, só para citar um exemplo.
Resposta 3: Trabalho com computadores desde que me conheço por gente, e é através dessa ferramenta que visualizo e ouço 95% da arte que produzo ou que tomo como minha no momento de apreciação. Esta mesma arte, por sua vez, está 80% em inglês e me exige conhecimento na área. Já o inglês é o alvo da minha vida acadêmica e, atualmente, da minha monografia que trata, adivinhe do quê? De informática ligada ao ensino de língua inglesa!
Como disse antes, o ciclo é redondo e não acaba aí. Eu poderia citar ainda outros tantos exemplos, mas já escrevi demais pra um post que eu não sabia nem ao certo como iniciar.
São 3h da manhã e estou mais acordada agora que quarta-feira passada, às 15h. Efeito dessa inquietação que meus pensamentos me causam nos momentos mais diversos. Mas não reclamo disso, pelo contrário, é a chance que tenho de viver os três elos ao mesmo tempo. Enquanto escrevo, ouço o som do teclado (que continua me dando prazer) e já penso o que ainda é preciso pesquisar para minha monografia. Realmente amo essas três guias, verdadeiras bases para a minha caminhada. Contudo, conheço tão pouco delas e por mais que tente, nunca as alcançarei em plenitude. Sei que não sei, mas buscar aprender o máximo possível é o que me mantém viva e traz sentido aos meus atos.
A história é até simples, mas pouca gente sabe qual a razão do CrazyLidi (meu username em praticamente todos os sites da internet que já me cadastrei) ser o endereço desse blog e ter dado origem, inclusive, ao nome dele. Não, não é porque eu seja ou me considere louca. Sou quieta demais para poder me definir assim.
A verdade é que sempre fui fissurada por música. Sempre precisei dela como se fosse alimento pra viver, literalmente. Claro, como todo mundo, passei por fases estranhas em que meus gostos e artistas preferidos não eram lá essas coisas, mas até isso faz parte da nossa evolução, sem dúvida.
Bom, o fato é que aos 14 anos de idade (no tempo em que eu tinha tempo), lá estava eu assistindo TV quando vi pela primeira vez o videoclipe de Crazy, música da banda americana Aerosmith. Naquela época minha paixão eram única e exclusivamente os Backstreet Boys, somente eles me interessavam. Deste modo, odiei o som dos roqueiros (como era de se esperar de uma adolescente obcecada por uma boyband totalmente pop e formada com rostos bonitinhos).
No entanto, algo me chamou a atenção no clipe. Era uma espécie de história e mostrava as aventuras de duas (belas) garotas que fugiam da escola para aproveitar a vida. Uma delas era a atriz Alicia Silverstone, a outra eu não conhecia e só tempos mais tarde descobri que se tratava da hoje conceituadíssima atriz Liv Tyler, filha do próprio vocalista do Aerosmith, Steven Tyler. Ela inclusive imita o jeito de cantar do pai na parte mais linda da canção.
Depois de algumas semanas, novamente assisti ao clipe. Só que o caso foi diferente. O caso ali já era de amor. Ainda não sei explicar os motivos que mudaram minha relação com aquela música, passei do ódio à paixão sem razão aparente, apenas aconteceu.
Quase 10 anos depois, da idolatria aos Backstreet Boys nada restou, mas Crazy continua sendo a minha música. A única que não sai do meu MP4, a única que não canso de ouvir. É engraçado. Mudei tanto, mas o sentido desse blues na minha vida continua exatamente igual e a letra mexe comigo da mesma forma de quando tomei conhecimento dela. Por que será?
Resposta não tenho, nem sei se algum dia terei. Aliás, só fui me dar conta de tudo isso por causa de uma crise existencial que tive durante a semana. O motivo?
Segue:
Quarta-feira, dia 26/08, o blog completou quatro anos de existência. Em "comemoração", decidi fazer um rápido flashback e voltar a ler os primeiros posts que aqui publiquei.
Nossa, foi decepcionante... Tive vergonha do que escrevia, tive ainda mais vergonha de mim. Como eu era boba, fútil... Não que hoje eu esteja mais esperta, mas com certeza amadureci (ou seria amargurei?) muito.
Quatro anos é um período relativamente curto, mas o suficiente para grandes transformações. Passei por tanta coisa nesses exatos 48 meses, tantos fatores que influenciaram no meu crescimento e no que chamo de regressão passiva. É que eu consigo a façanha de evoluir em vários quesitos ao mesmo passo em que regrido em tantos outros.
Aí refleti: preciso mudar. Mudar de novo, e sempre que preciso for.
Minha vida está um nó, não estou satisfeita comigo, nem com o que produzo. Então, pensei em começar modificando o nome do blog e o endereço. Excluir o CrazyLidi e o Mundo Crazy que também me pareceram tão infantis quanto aquilo que li nos meus primeiros registros como blogueira. Mas, como disse meu mano Vinicius, que também já passou por semelhante dilema: “se mudar, para o que mudar? “
Que outro nome definiria quem sou?
Que outro nome teria a minha essência?
Raciocinei muito, mas não encontrei solução. Apenas me dei conta de que, ao longo do meu "desenvolvimento", algumas coisas não se alteraram:
Ainda amo a melodia, a letra e o vídeo de Crazy. Ainda sou a Lidi. Uma Lidi diferente, lógico, mas ainda sim Lidi.
Então, para o que mudar? Ou melhor, por que mudar?
É isso. Enquanto existir razão para que meu Mundo seja Crazy, ele assim será.
Eu só sei que quero amar você sem nenhuma outra razão que não seja a de amar por amar. Não quero as barreiras do ciúme, das chantagens, nem preciso viver sentimentos como o de posse, obsessão e derivados.
Sim, concordo que estou passando por mais um período complicado, e outra vez não estou me permitindo ser eu em totalidade, mas isso não muda coisa alguma. Não quero compromisso, nem devo ter um. Já bastam os profissionais e acadêmicos que consomem minha energia e bom humor.
Não, não quero um namorado. Quero um amor. Quero você.
Quero me surpreender dizendo seu nome em voz alta, como um impulso da saudade que sinto. Quero ter motivo para suspirar, para ficar pensando nas horas mais impróprias. Quero sonhar com seu sorriso, acordar e ainda estar vivendo daquele sonho...
Só isso já me faria bem, não preciso nada além.
Ou preciso, pois sou pele e também necessito do toque, do cheiro, do beijo.
Mas enquanto você está longe, quem sabe amando outros amores e sentindo outros perfumes, eu aqui vou seguindo meu caminho.
E vou amando o que ainda não sei de você.






